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2012 - Livro Vermelho 2013

Encholirium pedicellatum (Mez) Rauh CR

Informações da avaliação de risco de extinção


Data: 16-04-2012

Criterio: B1ab(iii)+2ab(iii);C2a(i)

Avaliador: Miguel d'Avila de Moraes

Revisor: Tainan Messina

Analista(s) de Dados: CNCFlora

Analista(s) SIG: Marcelo

Especialista(s):


Justificativa

Encholirium pedicellatum é endêmica do Brasil e ocorre exclusivamente no Planalto de Diamantina, no Estado de Minas Gerais. Tem distribuição extremamente restrita (EOO=31,8 km²) e ocupa uma área (AOO ) de apenas 16 km². A única população conhecida da espécie é formada por seis agrupamentos com cerca de 10 touceiras ou indivíduos solitários em cada. Estima-se que o tamanho populacional seja de cerca de 250 indivíduos maduros, com no máximo 50 em cada subpopulação. Encholirium pedicellatum não ocorre em áreas protegidas por unidade de conservação (SNUC), e sua única população está sujeita a queimadas, pastoreio e expansão urbana. Assim, E. pedicellatum foi avaliada como "Criticamente em perigo" (CR).

Taxonomia atual

Atenção: as informações de taxonomia atuais podem ser diferentes das da data da avaliação.

Nome válido: Encholirium pedicellatum (Mez) Rauh;

Família: Bromeliaceae

Sinônimos:

  • > Dyckia pedicellata ;

Mapa de ocorrência

- Ver metodologia

Informações sobre a espécie


Notas Taxonômicas

Planta relativamente pequena, com rosetas de até 16 cm de diâmetro. Suas folhas são fortemente cinéreas nas duas faces, e acueladas. Sua inflorescencia é do tipo racemo, trazendo pequenas flores esverdeadas.

Dados populacionais

Segundo estudos de Cavallari (2004) foi amostrada a única população conhecida da espécie. Observou-se a distribuição da planta em seis agrupamentos, Dentro de cada agrupamento foram observados em torno de 10 touceiras ou indivíduos solitários. Observou-se que há indivíduos ou touceiras isolados em relação aos agrupamentos, de modo que ocorrem sempre em "colônias". Tal distribuição sugere que os agrupamentos são formados por indivíduos aparentados. A população é restrita a apenas uma certa área, não sendo encontrado nenhum outro agrupamento além dos seis observados, apesar dos afloramentos continuarem por algumas dezenas de metros.

Distribuição

A espécie é endêmica do Planalto da Diamantina, Estado de Minas Gerais (Forzza, 2005; Versieux et al., 2008).Aparentemente, todas as coleções de herbário são provenientes de uma única população, que ocorre em área muito restrita, próximo da Estrada Diamantina-Biribiri, em propriedade particular (Forzza 2001). Depois da publicação de Forzza (2005) e dos dados de Cavallari et al. (2006) foi encontrada uma nova subpopulação da espécie. Esta nova subpopulação esta dentro de uma área de mineração no planalto de Diamantina e possui menos que 100 rosetas (clones) (Forzza com. pess.)

Ecologia

Planta de 65,0-70,0 cm de altura, são encontradas isolada ou em pequenas touceiras, diretamente sobre afloramentos rochosos, especialmente em fendas onde ocorre acúmulo de areia e detritos (Borges, 2005).

Ameaças

9.2 Poor recruitment/reproduction/regeneration
Incidência local
Severidade high
Detalhes As diferença Genética Molecular existentes entre os indivíduos é responsável por mais de 80% da variabilidade da espécie. Este resultado evidencia que a retirada de um único indivíduo do hábitat implica em uma perda significativa de diversidade genética na natureza. (Cavallari, 2004).

Ações de conservação

5.7 Ex situ conservation actions
Situação: on going
Observações: Para a composição de bancos de germoplama ex situ, ou para estudos de qualquer outra natureza, deve-se retirar apenas sementes das subpopulações. O impacto da retirada de sementes é bastante reduzido, uma vez que a grande maioria delas não chega a germinar no campo. Adicionalmente, a taxa de germinação desta espécie em laboratório é superior a 90%. Além disso, como as subpopulações apresentam grande variabilidade genética entre os indivíduos, o banco de semente é uma estratégia interessantes para a conservação da espécie. Pois a retirada de uma única planta dessas populações pode implicar em uma perda significativa de diversidade genética (Borges, 2005).O mesmo autor estabeleceu as condições para a micropropagação desta espécie.

1.2.1.2 National level
Situação: on going
Observações: A espécie foi considerada "Deficiente de Dados" (DD) na Lista vermelha da flora do Brasil (MMA, 2008), anexo 2.

3.8 Conservation measures
Situação: on going
Observações: A espécie foi classificada como "Criticamente em perigo" (CR), enfrentando alto risco de extinção na natureza, em curto prazo (Forzza, 2003).

Referências

- RAFAELA CAMPOSTRINI FORZZA. Filogenia da Tribo Puyeae Wittm. e Revisão Taxonômica do Gênero Encholirium Mart. ex Schult. & Schult. F. (Pitcairnioideae - Bromeliaceae). Tese de Doutorado. São Paulo, SP: Universidade de São Paulo, 2001.

- CONSELHO ESTADUAL DE POLÍTICA AMBIENTAL, MINAS GERAIS. Deliberação COPAM n. 85, de 21 de outubro de 1997. Aprova a lista das espécies ameaçadas de extinção da flora do Estado de Minas Gerais, Diário Oficial do Estado de Minas Gerais, Diário do Executivo, Belo Horizonte, MG, 30 out. 1997, 1997.

- FORZZA, R. C. Revisão taxonômica de Encholirium Mart. Ex Schult. & Schult.F. (Pitcairnioideae - Bromeliaceae). Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo, v. 23, n. 1, p. 1-49, 2005.

- FORZZA, R. C.; CHRISTIANINI, A. V.; WANDERLEY, M. G. L. ET AL. Encholirium (Pitcairnioideae - Bromeliaceae): Conhecimento Atual e Sugestões para Conservação. Vidalia, v. 1, n. 1, p. 7-20, 2003.

- MARCELO MATTOS CAVALLARI. Estrutura Genética de Populações de Encholirium (Bromeliaceae) e Implicações para sua Conservação. Dissertação de Mestrado. Piracicaba, SP: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - Universidade de São Paulo, 2004.

- CAVALLARI, M. M.; FORZZA, R. C.; VEASEY, E. A. ET AL. Genetic Variation in Three Endangered Species of Encholirium (Bromeliaceae) from Cadeia do Espinhaço, Brazil, Detected Using RAPD Markers. Biodiversity and Conservation, v. 15, p. 4357-4373, 2006.

- ALBA REGINA PEREIRA. Mofologia, Germinação e Conservação de Sementes de Espécies de Bromeliaceae Ameaçadas de Extinção. Tese de Doutorado. Rio de Janeiro, RJ: Escola Nacional de Botânica Tropical - Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2009.

- VERSIEUX, L. M.; WENDT, T.; LOUZADA, R. B. ET AL. Bromeliaceae da Cadeia do Espinhaço. Megadiversidade, v. 4, n. 1-2, p. 98-110, 2008.

- ERIKA SPANGENBERG TARRÉ BORGES. Conservação Ex situ de Espécies Endêmicas e Ameaçadas de Dyckia e Encholirium (Bromeliaceae). Tese de Doutorado. Rio de Janeiro, RJ: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2005.

- MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Instrução Normativa n. 6, de 23 de setembro de 2008. Espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção e com deficiência de dados, Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 24 set. 2008. Seção 1, p.75-83, 2008.

- FORZZA, R.C. Comunicação pessoal da especialista botânica Rafaela Campostrini Forzza para os analistas de dados Diogo Marcilio Judice, Eduardo Pinheiro Fernandez, Rafael Augusto Xavier Borges e Thiago Serrano de Almeida Penedo, pesquisadores do CNCFlora., 2011.

Como citar

CNCFlora. Encholirium pedicellatum in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Encholirium pedicellatum>. Acesso em .


Última edição por CNCFlora em 16/04/2012 - 19:43:19