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2012 - Livro Vermelho 2013

Alcantarea glaziouana (Leme) J.R.Grant EN

Informações da avaliação de risco de extinção


Data: 04-04-2012

Criterio: B1ab(ii,iii,v)+2ab(ii,iii,v)

Avaliador: Miguel d'Avila de Moraes

Revisor: Tainan Messina

Analista(s) de Dados: CNCFlora

Analista(s) SIG:

Especialista(s):


Justificativa

Alcantarea glaziouana é endêmica do Brasil e sua distribuição é restrita (EOO=347,89 km²) aosmunicípios de Niterói e do Rio de Janeiro, no Estado do Rio de Janeiro. A espécie ocorre em afloramentos rochosos graníticos da região, os quais naturalmente impõem uma estrutura populacional severamente fragmentada. Esses afloramentos são constantemente atingidos por incêndios. Além disso, as subpopulações da espécie estão sujeitas aos efeitos da urbanização da cidade, que resultam em fragmentação e perda de hábitats e de indivíduos. Obras como a expansão do metrô tiveram impacto significativo e a abertura de rodovias e túneis vem ocasionando reduções populacionais e no número de indivíduos maduros.

Taxonomia atual

Atenção: as informações de taxonomia atuais podem ser diferentes das da data da avaliação.

Nome válido: Alcantarea glaziouana (Leme) J.R.Grant;

Família: Bromeliaceae

Sinônimos:

  • > Vriesea glaziouana ;

Mapa de ocorrência

- Ver metodologia

Informações sobre a espécie


Notas Taxonômicas

O sinônimo Vriesea vasta foi descrita em 1894. Enquanto a combinação Alcantarea glaziouana foi realizada em 1997 (Versieux, 2009).

Dados populacionais

No Rio de Janeiro forma subpopulações muito densas no Pão de Açúcar, praia da Macumba, Parques Naturais Municipais da Catacumba, da Chacrinha, da Prainha, entre outras áreas, especialmente da zona Oeste, sendo dessa forma comum em locais de fácil acesso. Já em Niterói ocorre em grandes subpopulações dominantes no Costão de Itacoatiara, Morro das Andorinhas, Morro do Telégrafo e Alto Mourão (Barros, 2008). Dados genéticos apontam para uma elevada endogamia nas subpopulações desta espécie, o que em parte se explicaria pela autofecundação e limitada capacidade de dispersão das sementes (Barbará et al., 2008).

Distribuição

Espécie exclusiva dos municípios de Niterói e Rio de Janeiro, onde ocorre, geralmente, em costões rochosos próximos ao mar (Versieux, 2009).

Ecologia

Espécie herbácea (Barros, 2008), rupícola, atingindo cerca de 1,5 a 2 metros de altura (Versieux, 2009). Ocorre na Mata Atlântica (Forzza et al., 2010), geralmente em costões rochosos próximos ao mar (Versieux, 2009). No habitat em que ocorre, apresenta um importante papel como pioneiras no processo de sucessão ecológica (Barros, 2008). Apresenta autofecundação e limitada capacidade de dispersão das sementes (Barbará et al., 2008), propagando-se por brotações axilares (Versieux, 2009). Floresce do fim de novembro a fevereiro e frutifica entre janeiro e fevereiro (Versieux, 2009).

Ameaças

1.4.3 Tourism/recreation
Incidência local
Severidade high
Detalhes No Pão de Açúcar, Rio de Janeiro, as vias de escaladas mais empregadas deixam veios abertos no meio das ilhas de A. glaziouana (Versieux, 2009).

1.4.2 Human settlement
Incidência local
Severidade high
Detalhes Versieux (2009) cita a degradação gerada pela ocupação irregular de encostas nas cidades onde a espécie ocorre.

1.7 Fire
Incidência local
Severidade high
Detalhes Versieux (2009) cita a ocorrência de queimadas nas localidades em que a espécie ocorre, sendo que em 2010 houve um grande incêndio no inselberg do P.M. da Catacumba, que destruiu grande parte da população de A. glaziouana (Versieux, com. pess.).

Ações de conservação

4.4.2 Establishment
Situação: needed
Observações: Versieux (2009) descreve a importância em se evitar a extinção de subpopulações localizadas, uma vez que isso aumentaria os efeitos deletérios decorrentes das subpopulações pequenas, isoladas e com taxas acentuadas de endocruzamento, como ocorre com a espécie.

4.4 Protected areas
Situação: on going
Observações: A espécie ocorre no Parque Estadual da Serra da Tiririca (Barros, 2008).

3.8 Conservation measures
Situação: on going
Observações: Versieux (2009) considerou a espécie como "Vulnerável" (VU), de acordo com os critérios da IUCN.

3.9 Trends/Monitoring
Situação: needed
Observações: Versieux (2009) sugere que seja feito um mapeamento atualizado da população de A. glaziouana, uma vez que muitas das localidades citadas no material de herbário encontram-se descaracterizadas por estarem dentro de áreas urbanas em expansão.

Usos

Referências

- BARROS, A.A.M. Análise florística e estrutural do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ, Brasil. : , 2008.

- FORZZA, R. C.; COSTA, A.; SIQUEIRA FILHO, J. A. ET AL. Alcantarea in in Lista de Espécies da Flora do Brasil, Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponivel em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2010/FB005888>. Acesso em: 15 de Março de 2011.

- MARTINELLI, G.; VIEIRA, C. M.; LEITMAN, P. ET ALSTEHMANN, J. R.; FORZZA, R. C.; SALINO, A. ET AL. Bromeliaceae. 2009. 186 p.

- VERSIEUX, L.M. Sistemática, filogenia e morfologia de Alcantarea (Bromeliaceae). Tese de Doutorado. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2009.

- BARBARA, T.; MARTINELLI, G.; FAY, M.F.; ET AL. Population differentiation and species cohesion in two closely related plants adapted to neotropical high-altitude 'inselbergs', Alcantarea imperialis and Alcantarea geniculata (Bromeliaceae), Molecular Ecology, v.16, n.10, p.1981-1992, 2007.

Como citar

CNCFlora. Alcantarea glaziouana in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Alcantarea glaziouana>. Acesso em .


Última edição por CNCFlora em 04/04/2012 - 19:37:41