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2012 - Livro Vermelho 2013

Nectandra cissiflora Nees LC

Informações da avaliação de risco de extinção


Data: 26-03-2012

Criterio:

Avaliador: Maria Marta V. de Moraes

Revisor: Tainan Messina

Analista(s) de Dados: CNCFlora

Analista(s) SIG:

Especialista(s):


Justificativa

A espécie tem ampladistribuição, está presente em todas as regiões do Brasil, com EOO de5.693.460 km², inclusive em unidades de conservação (SNUC). Segundo informaçãodisponível, a espécie vem sendo extraída, de maneira não sustentável, pelo seuvalor madeireiro. Sugerimos análise das subpopulações existentes nos diferentesambientes.

Taxonomia atual

Atenção: as informações de taxonomia atuais podem ser diferentes das da data da avaliação.

Nome válido: Nectandra cissiflora Nees;

Família: Lauraceae

Sinônimos:

  • > Nectandra myriantha ;

Mapa de ocorrência

- Ver metodologia

Informações sobre a espécie


Notas Taxonômicas

Nectandracissiflora está relacionada a N. viburnoides, N. pearcei, e N. subbullata. Nectandraviburnoides difere de N. cissiflora pelas inflorescências menores e folhasmenores, com nervuras impressas. Nectandra pearcei pode ser distinta por possuirtricomas eretos na face abaxial das folhas (Rohwer, 1993). Nectandra cissifloraapresenta como características marcantes a face adaxial das tépalas e o ápicedas anteras das séries I e II papiloso-vilosos (papilas longas e curvadas), umtipo peculiar de indumento não encontrado nas demais espécies. É também reconhecidapelas inflorescências longas e folhas coriáceas, com ápice curto-cuspidado(Zanon et al., 2009). Nomes populares: "canela", "canela-amarela", "canela-burra", "canela-capitão-mor", "canelafedida", "canela-fedorenta", "canela-fétida", "canela-japu", "canelamerda", "canela-pirante", "canela-puante", "louro-babão", "lourofedorento", "massaranduba-branca", "canelão", "canelão-do-brejo", "canela-de-cheiro", "canela-de-mau-cheiro", "canela-trampa" (Moraes, 2005).

Potêncial valor econômico

Amadeira dura, amarela e fragrante é utilizada para vários propósitos, como paraconstrução civil, fabrico de móveis e esquadrias, para lâminas faqueadasdecorativas, tabuado em geral e carrocerias (Moraes, 2005).

Dados populacionais

Borghiet al. (2004) encontraram 16 ind. (DR: 1,4%) na barragem à montante da UsinaHidrelétrica de Rosana, Diamante do Norte, PR. Na Estação Ecológica do Panga,Uberlândia, MG, foram encontrados seis indivíduos em Cerradão (Cardoso, 2006); 16ind. em Mata de Galeria e 15 ind. em Mata semi-decídua de encosta (Cardoso;Schiavini, 2002); Moreno; Schiavini (2008) registrou 13 ind. também em Floresta Semi-decídua.Dalanesiet al. (2004) registrou seis ind. no Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito(PEQRB), Lavras, MG. Na Mata da Subestação, Lavras, MG, Espírito-Santo et al.(2002) encontraram 1 ind./ha. Machado et al. (2004) amostraram dois ind. (DA:1,7ind./ha) na Mata da Lagoa, Lavras, MG. Em um hábitat paludoso em Coqueiral, MG, Rocha et al. (2005) registraram quatro ind. e em encosta de floresta ripária foramregistrados dois ind. Na Fazenda da Mata, Araguari, MG, foram amostrados 27 ind.(DR: 4,4%) (Vale et al., 2008). Em Mata de galeria do córrego Cabeça-de-veado,DF, Cruz (2011) amostrou dois nd. (DA: 2 ind./ha). Foram encontrados quatro ind. (DA:9,4 ind./ha) na mata de galeria do Taquara na Reserva Ecológica do IBGE,Brasília, DF (Silva-Jr., 2004). Na Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade(FEENA), Rio Claro, SP, Diniz; Monteiro (2008) encontraram 1 ind./ha. Rissi(2011) encontrou 23 ind., ou 92 ind./ha em área em regeneração natural noJardim Botânico de Bauru, SP sendo uma das espécies com alto IVI. Em umfragmento de Floresta Estacional Semidecídua em Guaiçara, SP, Mardegan; Cavassan(2009) amostraram sete ind.

Distribuição

Espécie de ampla distribuição ocorre nos Estados da Pará, Acre, Pernambuco, Bahia, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul (Quinet et al., 2011).

Ecologia

Árvorede até 35 m de altura, em ambiente abertos floresce a partir de 4 m de altura. Folhasalternas ou raramente subopostas nos ramos e ápice dos râmulos, lâmina obovadaou elíptica, coriácea (Rohwer, 1993; Zanon et al., 2009). Inflorescências naaxila de catafilos ou folhas. Flores 3-5 mm diâm. (Zanon et al., 2009), brancas(Sakuragui et al., 2011). Fruto globoso a elíptico, ca. 15% envolvido pelacúpula (Alves; Sartori, 2009). Coletadacom floração de agosto a outubro e com frutificação de setembro a outubro(Zanon et al., 2009). Espéciesemidecídua, heliófita ou de luz difusa. A espécie tem grande condição de produção dedescendentes com capacidade de regeneração bastante elevada (Urquiza, 2008). EspécieSecundária Tardia (Borghi et al., 2004). Plântulas tolerantes à sombra (Comitaet al., 2007). Zoocórica (Oliveira, 2009) Ornitocórica (Saravy et al., 2003). Adispersão ocorre na época chuvosa (Resselet al., 2004). Polinizadapor abelhas (Sakuragui et al., 2011).

Ameaças

1.3.3.2 Selective logging
Detalhes A espécie tem valor madeireiro (Moraes, 2005).

1 Habitat Loss/Degradation (human induced)
Severidade high
Detalhes Asflorestas ciliares desempenham importante função ambiental e tem sidosubmetidas a impactos devastadores devido ao progresso da atividade humana. Comoconsequência, estão hoje reduzidas a fragmentos esparsos, no Sudeste do Brasila maioria deles profundamente perturbados (Carvalho et al., 1996). O Estado doParaná tem um histórico de devastação ambiental desde sua colonização para odesenvolvimento agrícola, atualmente estima-se que menos que 7% da coberturaflorestal no Estado (Borghi et al., 2004).

Ações de conservação

4.4 Protected areas
Situação: on going
Observações: Oocorre em área protegidas como EstaçãoEcológica do Panga (Cardoso, 2006); FlorestaEstadual Edmundo Navarro de Andrade (FEENA) Diniz; Monteiro (2008); Dalanesiet al. (2004) registrou seis ind. no Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito (PEQRB); ReservaParticular da Fazenda Água-branca (Oliveira, 2009).

1.2.1.3 Sub-national level
Situação: on going
Observações: "Vulnerável" (VU), segundo a Lista vermelha da flora de São Paulo (SMA-SP, 2004).

Usos

Referências

- MORAES, P.L.R. D. Sinopse das Lauráceas nos Estados de Goiás e Tocantins, Brasil. Biota Neotropica, v. 5, n. 2, p. 1-18, 2005.

- ROHWER, J.G. Nectandra. Flora Neotropica, v. 60, p. 1-332, 1993.

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Como citar

CNCFlora. Nectandra cissiflora in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em <http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Nectandra cissiflora>. Acesso em .


Última edição por CNCFlora em 26/03/2012 - 14:13:18